
Sobre o Fórum
O Conselho Latino-americano da Água, com o apoio de várias Instituições públicas e privadas, da Academia e de Organizações da Sociedade Civil, irá promover o II Fórum Latino-americano da Água, a ser realizado no período de 23 a 25 de novembro de 2026 na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil.
A realização deste Fórum internacional, em sua segunda edição, visa fortalecer o diálogo e a integração de processos decisórios e de governança sobre água e saneamento no âmbito dos países latino-americanos, nos contextos político, técnico e institucional, assim como estabelecer redes, interações e agendas de recursos hídricos que contribuam para o desenvolvimento sustentável na América Latina.
A expectativa do evento é agregar um amplo leque de instituições do setor de recursos hídricos dos 35 países que compõem a América Latina, incluindo gestores, técnicos, usuários, acadêmicos, indígenas, mulheres, jovens, empresários, legisladores, tomadores de decisão, comunicadores e, especialmente, representantes da sociedade civil.
Neste cenário, o II Fórum Latino-americano da Água, deverá ser o catalisador das propostas da América Latina a serem apresentadas no 11º Fórum Mundial da Água que se realizará na cidade de Riade, Arábia Saudita, em março de 2027 e sua programação temática deverá ser ancorada nos temas do Fórum Mundial e nas questões afetas à integração e ao compartilhamento de soluções e boas práticas de gestão no território latino-americano, promovendo a cooperação e a parceria entre países e instituições da região.
Programação
13:00 – 17:00
Credenciamento
09:00 - 17:00
Reunião Plenária Extraordinária do Conselho Nacional de Recursos Hídricos
19:00 – 21:00
Abertura solene do 2° Fórum Latino-americano da Água
21:00 – 23:00
Coquetel de confraternização
08:00 -18:00
Credenciamento
09:00 – 10:30
Painel Multissetorial
ÁGUA E AGRICULTURA
A agricultura na construção de sistemas hídricos mais seguros, resilientes e inovadores.
A América Latina detém cerca de um terço dos recursos de água doce do mundo, mas enfrenta sérios desafios de distribuição, desperdício e pressão ambiental na agricultura.
A agricultura irrigada é a atividade que mais consome água na região, sendo responsável por aproximadamente 70% do uso total dos recursos hídricos (enquanto o uso doméstico representa 20% e a indústria 10%)
Segundo a Organização das Nações unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) a extração de água na América Latina e no Caribe dobrou nas últimas três décadas, impulsionada pela expansão do agronegócio e da agricultura de exportação.
Objetivo: Promover um diálogo de alto nível sobre o papel da agricultura na construção de sistemas hídricos mais seguros, eficientes, resilientes e inovadores, identificando prioridades regionais que reforcem a contribuição da América Latina e das Caraíbas para a agenda do Fórum Mundial da Água de 2027.
Objetivos específicos:
(a) Analisar os principais desafios em matéria de segurança hídrica para a agricultura na América Latina e nas Caraíbas.
(b) Partilhar experiências e políticas públicas que promovam uma gestão sustentável da água no setor agroalimentar.
(c) Identificar mecanismos inovadores para reforçar a gestão da água através da digitalização, da inovação institucional, do reforço de capacidades e de novos instrumentos financeiros.
(d) Promover o intercâmbio de experiências entre países e organismos internacionais.
(e) Gerar mensagens estratégicas que contribuam para a preparação regional do Fórum Mundial da Água 2027.
10:30 – 12:00
Painel Multissetorial
ÁGUA E SANEAMENTO
A universalização do saneamento com sustentabilidade econômica, ambiental e social, na América Latina.
Na América Latina e Caribe, cerca de 164 milhões de pessoas não têm acesso a serviços seguros de água potável, e 435 milhões carecem de esgotamento sanitário gerenciado de forma segura.
Metade da população urbana ainda não está conectada a redes de esgoto formais, e grande parte do esgoto coletado não recebe tratamento adequado
Em praticamente toda a América Latina, enquanto as áreas urbanas centrais contam com serviços básicos, a periferia e as zonas rurais dependem de fossas rudimentares ou sofrem com a contaminação da água.
Secas severas, eventos extremos e a competição pelo uso da água (entre consumo humano, agricultura e indústria) pressionam os mananciais da América Latina.
A universalização dos serviços de saneamento básico representa um dos maiores desafios para o desenvolvimento sustentável no Brasil, sendo fundamental para a promoção da saúde pública, da qualidade de vida, da proteção ambiental e da redução das desigualdades sociais e territoriais. Apesar dos avanços recentes, a ampliação do acesso à água, ao esgotamento sanitário, à drenagem urbana e à gestão de resíduos sólidos ainda exige elevados investimentos, inovação e fortalecimento da governança do setor.
Esse desafio torna-se ainda mais complexo diante das transformações climáticas, do crescimento urbano e das pressões sobre os recursos naturais. A ocorrência cada vez mais frequente de secas, enchentes e outros eventos extremos impõe a necessidade de sistemas mais resilientes, eficientes e capazes de assegurar a continuidade e a qualidade dos serviços para a população, especialmente nos territórios mais vulneráveis.
O painel discutirá caminhos para acelerar a universalização dos serviços de saneamento com sustentabilidade econômica, ambiental e social, abordando temas como eficiência operacional, inovação tecnológica, qualidade ambiental, economia circular, adaptação climática e financiamento sustentável. O objetivo é identificar estratégias e soluções que permitam ampliar o acesso aos serviços, fortalecer a resiliência das infraestruturas e contribuir para o desenvolvimento sustentável e inclusivo dos territórios.
12:00 – 14:00
Almoço
14:00 – 15:30
Painel Multissetorial
ÁGUA E ENERGIA
América Latina: Governança para garantir a segurança hídrica e energética global e regional.
Na eletricidade a água é responsável por 68% de toda a geração de eletricidade da região (mais de 80% no Brasil), em comparação com médias globais de menos de 16%
Mais de 45% a 50% da eletricidade da região (e mais de 80% no Brasil) provém de fontes hidrelétricas, aproveitando a vasta rede de bacias hidrográficas.
Nos últimos 10 anos, secas históricas causaram reduções críticas na produção de eletricidade no Brasil, Argentina, Chile e Peru. Venezuela e Equador tiveram que racionar eletricidade devido a secas.
Mudanças climáticas, secas e períodos de estiagem severa (como os enfrentados recentemente em países como o Equador e o Brasil) reduzem os níveis dos reservatórios, gerando crises de abastecimento e risco de racionamento de energia.
O painel Água e Energia, terá como eixo principal, o nexo da sustentabilidade, debatendo a interdependência entre os recursos hídricos e a produção de energia no momento atual, onde os eventos climáticos extremos impactam a matriz elétrica e o abastecimento de água simultaneamente.
Como objetivo, o painel destacará soluções tecnológicas, políticas e de governança para garantir a segurança hídrica e energética global e regional, apontando o importante papel das energias renováveis, novas tecnologias para redução de perdas e otimização de processos, trazendo a clara compreensão que não existe segurança energética sem segurança hídrica e vice-versa.
15:30 – 16:00
Café
16:00 – 17:30
Painel Multissetorial
ÁGUA E MINERAÇÃO
Inovação tecnológica para fazer a gestão das pressões regulatórias e da escassez no setor da Mineração.
A água e a mineração na América Latina envolvem um paradoxo: ao mesmo tempo em que a região detém algumas das maiores reservas minerais e hídricas do mundo, a exploração extrativa gera intensa competição, escassez local e graves conflitos socioambientais.
A mineração (especialmente de cobre, lítio, ferro e ouro) demanda grandes volumes de água para a extração, moagem, separação de minérios e transporte de rejeitos.
Países como Chile e Peru (líderes globais em cobre) enfrentam sérios problemas em zonas áridas, como o Deserto do Atacama, onde a mineração compete diretamente com comunidades locais e agricultura pela água subterrânea e superficial.
A corrida global por lítio (na Puna da Argentina, Bolívia e Chile) e outros minerais verdes acelera o estresse hídrico, pois a extração de lítio em salmouras consome e evapora enormes quantidades de água em regiões naturalmente secas.
A contaminação de rios e nascentes e o rebaixamento do lençol freático provocam forte resistência de populações camponesas, indígenas e urbanas, gerando disputas legais e sociais em toda a América Latina.
O painel Água e Mineração trará para o debate, o papel estratégico da água no setor mineral, com apontamento de tecnologias de reaproveitamento, soluções que neutralizem os impactos ambientais e fundamentalmente, formas de garantir a segurança hídrica para as comunidades lindeiras.
O painel abordará as temáticas de eficiência operacional, inovação tecnológica, gestão ambiental, riscos envolvidos e a regulação do setor, mas também os aspectos relacionados à licenciamento e governança.
08:00 -18:00
Credenciamento
09:00 – 10:00
Painel Temático
FINANCIAMENTO DA ÁGUA
Parcerias Internacionais e Cooperação para a inovação e o saneamento.
O financiamento de projetos de água e saneamento na América Latina é impulsionado por bancos multilaterais de desenvolvimento, fundos ambientais e cooperações internacionais, com foco na expansão da infraestrutura e na resiliência climática
Parcerias Internacionais e Cooperação apoiam a inovação e o saneamento em áreas rurais.
O financiamento de projetos de água e saneamento na América Latina é composto por uma combinação de recursos públicos, orçamentos nacionais, parcerias público-privadas (PPPs) e grandes instituições multilaterais de crédito.
O painel será estruturado numa visão geral sobre a viabilização e atração de recursos para obras de infraestrutura hídrica e de gestão da água, num cenário que contemple um alinhamento estratégico e de sustentabilidade.
Prevê um debate sobre o mapeamento das fontes e mecanismos de financiamento no viés das políticas públicas relacionadas aos recursos hídricos, aí contemplando aspectos de regulação e aplicação dos investimentos.
10:00 – 11:00
Painel Temático
ÁGUA PARA OS HUMANOS E A NATUREZA
O Direito Humano à Água e a natureza como infraestrutura viva produtora de água.
A América Latina possui grande abundância de recursos hídricos, mas enfrenta sérios desafios de distribuição, saneamento e preservação para as pessoas e os ecossistemas.
Cerca de 34 milhões de pessoas não têm acesso constante a água potável, e mais de 100 milhões vivem sem saneamento básico adequado, mais de 70% dos esgotos na região são despejados sem qualquer tipo de tratamento em rios, lagos e oceanos.
O desmatamento, a expansão agrícola, a mineração e o despejo de efluentes contaminam fontes vitais e alteram o ciclo natural das águas.
Há um forte contraste entre áreas de extrema fartura (como a Bacia Amazônica) e regiões áridas ou semiáridas (como o Deserto do Atacama e o Nordeste brasileiro).
Por fim, o aquecimento global e as alterações nos regimes de chuvas afetam o volume dos rios, ameaçam a biodiversidade aquática e comprometem a segurança hídrica e energética a longo prazo.
Os quatro subtemas preservam o eixo central do tema, garantir água e saneamento para as pessoas enquanto se conserva a natureza que produz a água:
Segurança Hídrica, Equidade e Garantia do Direito Humano à Água e ao Saneamento — do reconhecimento legal à garantia efetiva, reduzindo desigualdades urbanas/rurais e o fardo sobre as mulheres;
Conservação de Ecossistemas Aquáticos, Soluções Baseadas na Natureza e o Rio como Sujeito de Direitos — a natureza como infraestrutura viva produtora de água, com vazões ecológicas mínimas;
Governança Coordenada, Marcos Regulatórios e a Abordagem do Nexo Bacia Hidrográfica — comitês de bacia como "parlamentos da água" e equilíbrio água-alimento-energia-cidades;
Resiliência Climática, Gestão de Eventos Extremos e Educação Ambiental — cidades-esponja, adaptação a secas e inundações e mudança cultural contínua.
11:00 – 12:00
Painel Temático
GOVERNANÇA HÍDRICA E DIPLOMACIA
A água ultrapassa fronteiras políticas, administrativas e setoriais, conectando territórios, populações e países. Os desafios relacionados à segurança hídrica, às mudanças climáticas, aos diferentes usos da água e às desigualdades sociais demandam formas de governança capazes de articular diferentes escalas, instituições, conhecimentos e atores.
Na América Latina, experiências de gestão descentralizada e participativa, cooperação em águas transfronteiriças, participação social e parcerias internacionais oferecem importantes aprendizados, mas também revelam desafios relacionados à gestão de conflitos, à inclusão de diferentes grupos nos espaços de decisão e à necessidade de fortalecer capacidades institucionais.
Nesse contexto, o painel propõe um espaço de diálogo e construção coletiva sobre como fortalecer a governança hídrica por meio da cooperação, da participação e da articulação entre países, instituições e territórios, tendo como objetivo promover o intercâmbio de experiências e conhecimentos sobre governança hídrica e diplomacia na América Latina, discutindo mecanismos de cooperação, participação social, políticas públicas descentralizadas e parcerias internacionais capazes de contribuir para a prevenção e gestão de conflitos e para o enfrentamento dos desafios hídricos contemporâneos.
12:00 – 14:00
Almoço
14:00 – 15:00
Painel Temático
O VALOR DA ÁGUA
A água possui um valor ecológico e ambiental indispensável para a manutenção da vida no planeta, sendo elemento essencial para o equilíbrio dos ecossistemas, a conservação da biodiversidade e a regulação dos ciclos naturais. Sua importância para a saúde pública e o saneamento é fundamental, pois o acesso à água de qualidade garante condições dignas de vida, previne doenças e promove o bem-estar das populações.
Sob a perspectiva socioeconômica, a água é um recurso estratégico para o desenvolvimento das atividades produtivas, como agricultura, indústria, geração de energia e serviços, contribuindo para a prosperidade e a redução das desigualdades. Seu valor também transcende aspectos materiais, incorporando dimensões culturais, espirituais e ancestrais, especialmente para povos e comunidades que reconhecem na água um elemento de identidade, pertencimento e conexão com a natureza. Dessa forma, os múltiplos valores da água devem ser compreendidos de maneira integrada e transversal, reconhecendo sua relevância ambiental, social, econômica e cultural, para promover uma gestão sustentável, inclusiva e resiliente desse recurso essencial.
Discutir O Valor da Água entre países é fundamental para ampliarmos a rede de cuidados e investimentos necessários para um futuro com quantidade e qualidade hídrica na América Latina.
15:00 – 16:00
Painel Temático
SEGURANÇA HÍDRICA
Cenário atual e desafios para a Segurança Hídrica na América Latina
A segurança hídrica tem se consolidado como um dos principais desafios para o desenvolvimento sustentável, sendo compreendida pela ONU e pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) como a capacidade da sociedade de garantir, para as presentes e futuras gerações, disponibilidade de água em quantidade e qualidade adequadas para a população, os ecossistemas e as atividades produtivas, ao mesmo tempo em que reduz riscos associados a eventos hidrológicos extremos, como secas e inundações.
A segurança hídrica na América Latina é marcada por um paradoxo: o continente detém uma das maiores reservas de água doce do planeta, mas enfrenta graves crises de acesso, gestão e infraestrutura.
Embora a região possua grandes bacias hidrográficas (como a Amazônica e a do Prata) e imensos aquíferos (como o Guarani), a distribuição geográfica e climática é desigual.
O derretimento acelerado de geleiras nos Andes, períodos de seca mais intensos e eventos extremos de chuvas afetam a disponibilidade de água para a agricultura, o consumo humano e a geração de energia hidrelétrica.
Para alcançar as metas de água e saneamento até 2030, a região precisa ampliar drasticamente os aportes financeiros anuais em infraestrutura.
Nesse contexto, a governança da água assume papel central na construção da segurança hídrica, exigindo articulação entre diferentes níveis de governo, setores usuários, instituições e políticas públicas. O fortalecimento dos instrumentos de planejamento, da gestão baseada em evidências, da produção de conhecimento e dos processos de decisão torna-se essencial para promover o uso sustentável dos recursos hídricos e conciliar demandas crescentes em um cenário de incertezas e pressões socioambientais.
O painel debaterá os desafios e oportunidades para o fortalecimento da segurança hídrica no Brasil, com foco nas dimensões da Segurança Hídrica Humana, Econômica e Ecossistêmica, bem como na Resiliência Climática e no Financiamento Sustentável. A discussão buscará identificar estratégias capazes de ampliar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, aumentar a resiliência dos sistemas hídricos e mobilizar investimentos para garantir água em quantidade e qualidade para as pessoas, os ecossistemas e o desenvolvimento econômico.
16:00 - 16:30
Café
16:30 - 17:30
Painel Temático
INOVAÇÃO NA GESTÃO DA ÁGUA
Inovação e Tecnologia na gestão das águas na América Latina.
A inovação na gestão da água na América Latina combina transformação digital, monitoramento inteligente e reuso de efluentes para enfrentar as mudanças climáticas e as desigualdades no acesso ao recurso.
Embora alguns países e concessionárias avancem em tecnologias de ponta, grandes parcelas da população ainda carecem de redes básicas de saneamento e água potável.
A gestão da água na região ainda esbarra em disparidades que afetam desproporcionalmente as comunidades vulneráveis e as mulheres, responsáveis por grande parte do trabalho de cuidado não remunerado.
Diante de mudança climática, tensões geopolíticas, transição energética e disputa por água, alimento, energia e capital, a segurança hídrica é tratada como infraestrutura estratégica do desenvolvimento, e não como agenda setorial.
Inovar, nesse enquadramento, é aumentar a capacidade de regenerar funções ecológicas, usar melhor a água disponível, transformar informação em decisão, mobilizar financiamento e ajustar instituições continuamente.
A proposta estrutura cinco blocos de inovação sistêmica: regenerar o ciclo da água; fazer cada gota render mais; da informação à decisão; financiar resiliência e valor público; governança adaptativa, inteligência coletiva e aprendizagem.
O objetivo é subsidiar painéis que orientem bacias, cidades, empresas e comunidades na construção de segurança hídrica com escala, equidade, salvaguardas e capacidade de aprender sob incerteza.
17:30
Encerramento do 2° Fórum Latino-americano da Água
Local do evento
Rafain Palace Hotel & Convention
Av. Olímpio Rafagnin, 2357 - Três Bandeiras, Foz do Iguaçu - PR, 85862-210
Hotel oficial do evento


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